DGCI: Mais um boy director com excesso de zelo e de subserviência

24 Maio 2007

Não tenciono participar na Greve Geral agendada para o próximo dia 30, mas faço-o por opção pessoal e no pleno uso da minha liberdade e, por isso mesmo, não posso considerar aceitável que alguém que tenha posição diversa da minha não fazer uso da mesma liberdade e aderir à greve.
Quando o ministro das Finanças emitiu um despacho que visava proceder a um levantamento rigoroso dos dados estatísticos relativo à adesão à greve critiquei as posições da CGTP que acusavam o ministro de pretender fazer pressão sobre os funcionários.

Só que há dirigentes muito zelosos que não perdem a oportunidade darem provas da sua subserviência, talvez para caírem nas graças do poder e assim poderem manter estatutos que a competência pessoal não justifica. Um destes casos está a ocorrer na DGCI onde muitos funcionários que pretendem aderir à greve receiam represálias depois de terem tido conhecimento que o director de serviços de gestão recursos humanos determinou o levantamento dos dados pessoais dos funcionários que aderirem à greve.

Num mail com o título “Procedimento de apuramento de dados de adesão de greves na Função Pública “dirigido aos subdirectores-gerais e secretariado da DGCI, com conhecimento ao dr. Paulo Macedo a DSGRH determina que:

« Na sequência do despacho do Sr. Director-Geral de 16.5.07, proferido sobre a Nota elaborada pelo Dr. Luís Maia sobre o assunto em referência, já enviada, torna-se necessário alterar os mecanismos de comunicação aí previstos. Nesse sentido foi desenvolvida uma aplicação informática nesta DSGRH por forma a tornar mais célere a recolha, tratamento e comunicação à DGAP da informação necessária.»

Até aqui tudo bem, só que para o levantamento dos dados a DSGRH criou dois mapas:

Isto é, os responsáveis pela gestão dos recursos humanos decidiram fazer algo que nunca foi feito na Administração Pública no pós 25 de Abril, recolher os dados pessoais dos grevistas. Mais um pouco e ainda perguntavam o tipo de sangue.

Se este procedimento se mantiver terei que reequacionar a minha opção face à greve, podem tirar-me todos e mais alguns direitos e cortarem-me no que ganho, mas nunca admitirei a qualquer Teixeira, Macedo, Figueiredo ou Laudelino que me restrinja a liberdade ou que me ameace de forma mais ou menos subtil se adiro a uma greve. Para já o ministério das Finanças e o seu ministro passam a contar com “tolerância zero” neste espaço, a partir de agora começaremos a chamar as bestas pelos seus nomes, chega de idiotice, de prepotência e de incompetência esclarecida.

PS: Piores do que os boys do PSD ou do PS são os boys do PSD reconvertidos ou arvorados em boys do PS!

PS2 aditado: Constato que o ministério das Finanças já defendeu este procedimento:

«Para as Finanças não existe qualquer violação ao direito à greve, “já que não há qualquer identificação do trabalhador, previamente ao exercício efectivo da greve”, diz o esclarecimento ao DN, sendo a posterior identificação “absolutamente legal para efeitos de processamento de vencimentos” .» [Diário de Notícias]

O ministério das Finanças está a mentir, o levantamento dos nomes é feito depois de os funcionários terem aderido à greve (seria um pouco exagerado pedir os nomes antes…) mas a divulgação do procedimento é muito anterior, funcionando claramente como ameaça sobre os funcionários. A desculpa de que serve para corrigir os vencimentos é tão idiota como quem a deu, a ser verdade isso significaria que no passado os dias de greve não eram descontados, o que é mentir. O processamento do vencimento é feito a partir do registo do ponto e as correcções são processadas de acordo com o tipo de justificação apresentada, esse tratamento é posterior e é feito mensalmente, aliás, a tramitação dos mapas com os nomes dos grevistas nada tem que ver com a tramitação do processamento dos vencimentos.

Em suma, o ministério não só assume a actuação do dr. Macedo, fazendo o que nenhum governo anterior tinha feito, como não tem a coragem de assumir tentando iludir os cidadãos recorrendo à mentira, fazendo-nos de parvos.

Lamentavelmente temos gente num Gorverno supostamente de esquerda que poderiam transitar directamente para um governo de extrema-direita sem que ninguém os estranhasse na nova equipa.

PS3 aditado: Coitado do António Costa, com amigos como a directoras dos processos disciplinares, o ministro das Finanças e o dr. Macedo nem precisa de inimigos. Com o PS a fazer palermices a este ritmo nem para presidente de uma junta de freguesia teria hipóteses!

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