Dez idas ao solário sobem oito vezes risco de cancro

24 Maio 2007

 solario.jpg O Sol é um excelente antidepressivo natural e a principal fonte de vitamina D. Os seus benefícios, porém, não ocultam o facto de ser a causa de 90% dos casos de cancro da pele. Desde 1930 o risco de ter um cancro aumentou mais de 20 vezes e, só no ano passado, foram detectados dez mil novos casos de cancro da pele em Portugal.

Na década de 30, o risco de melanoma era de um em 1500. Em 2000, uma em cada 75 pessoas corriam o risco de ter uma das tipologias mais graves de cancro da pele, de acordo com o Fernando Ribas dos Santos, da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Osvaldo Correia, secretário-geral da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, acrescentou que a situação é tão preocupante que se estima que uma em cada seis pessoas venha a desenvolver um cancro da pele ao longo da vida e uma em cada 60 um melanoma, a forma mais perigosa e fatal de cancro da pele. Só em 2006, foram detectados 800 novos casos de melanoma em Portugal. A tipologia mais vulgar registou 6800 casos e o carcinoma espino-celular foi encontrado em 1800.

As mulheres com menos de 40 anos são um dos principais grupos de risco. O dermatologista Ribas dos Santos afirmou que “entre 1976/9 e 2001/4 os cancros baso-celulares (mais frequentes) triplicaram nas mulheres, sendo o segundo cancro mais vulgar depois do cancro da mama”. No mesmo período, o cancro espino-celular (mais agressivo) triplicou nos homens e aumentou sete vezes nas mulheres.

Solário tem efeito de escaldão

Os responsáveis de várias associações alertaram para os perigos do solário, especialmente entre as mulheres dos 16 aos 30 anos. Ribas dos Santos alertou que “30 sessões de solário por ano equivalem a cerca de cem escaldões solares, podendo induzir novas doenças”. O responsável avançou que “bastam dez sessões de solário por ano, para que os utilizadores tenham oito vezes mais possibilidade de ter cancro”. Os riscos vão além dos carcinomas, envolvendo o envelhecimento precoce da pele e o desenvolvimento de cataratas.

A prevenção passa pelo uso regular de protector (factor 20) e por evitar as horas em que o sol é mais forte (11.00 às 17.00). O uso de chapéus de sol e outros acessórios é recomendado. Mesmo fora das horas perigosas, é essencial evitar exposições prolongadas. “Os protectores são uma desculpa para passar mais tempo ao sol”, afirmou Abel Amaro, do Instituto Português de Oncologia. Osvaldo Correia acrescentou que as pessoas “colocam metade a um terço da dose testada para efeitos de protecção”. DIANA MENDES

ARQUIVO DN (imagem)

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