Portugueses mudam-se em massa para Espanha

22 Maio 2007

Depois dos cidadãos romenos, a comunidade portuguesa é a segunda maior da União Europeia a residir e a trabalhar em Espanha. Os dados, avançados ontem pelo Ministério do Trabalho e dos Assuntos Sociais espanhol (MTAS), indicam que, em Abril passado, estavam registados na Segurança Social do país vizinho um total de 75 307 portugueses, número batido apenas pelos romenos (186 812).

Em termos mundiais, a comunidade portuguesa é a quinta maior força de trabalho estrangeira em Espanha, depois das comunidades marroquina (276 444), equatoriana (268 700) e colombiana (143 520).

Um outro documento, compilado também pelo MTAS e datado de Fevereiro último, observava, na altura, que a comunidade portuguesa se encontra em décimo lugar na lista dos estrangeiros desempregados que beneficiam do subsídio de desemprego espanhol, com 2784 cidadãos a receber prestações.

Grande parte dos portugueses emigrados em Espanha, revela ainda o MTAS, labora nos sectores da construção civil, na agricultura, nas florestas e na hotelaria, estando dispersos, sobretudo, pelas regiões de Madrid (12 340), Galiza (11 503), Castela e Leão e Andaluzia. Na Galiza, indica outro relatório do MTAS sobre estrangeiros em Espanha, os portugueses estão localizados predominantemente em Ourense (4211), Pontevedra (3709) e na Corunha (2291).

O especialista em Trabalho Luís Bento, professor na Universidade Católica e docente de Management Social, em Bordéus, explica que o aumento de portugueses em Espanha é fruto de vários factores, entre os quais a deslocalização de empresas lusas para o país vizinho ou a falta de trabalho em Portugal. “Por um lado, há cada vez mais empresas a instalarem-se em Espanha; depois, com o encerramento das fábricas de têxteis e confecções na Região Norte do país, muitos portugueses, desempregados, partiram para a Galiza e para as Astúrias, onde trabalham na construção civil”. Acresce, continua, que “Espanha criou alguns centros especializados na identificação de profissionais altamente qualificados, seja em Electrónica ou Informática, que estão a fazer recrutamento de profissionais em vários países, entre os quais Portugal”. Junta-se, também, o facto de “as grandes construtoras espanholas estarem a tomar conta do mercado português e a levar portugueses com elas”.

Os dados do relatório do MTAS revelam que – em termos de portugueses residentes em Espanha (total de cidadãos com residência e não apenas a trabalhar) – entre Dezembro de 2006 e Março de passado, houve um aumento de 5,74% de residentes lusos. No espaço de três meses, o número de portugueses aumentou de 72 505, em Dezembro, para 76 669, em Março, mais 4164 novos residentes.

Pedro Correia

Isabel Forte

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