mario-lino2.jpg O ministro das Obras Públicas revelou ontem que dois grandes grupos internacionais já manifestaram ao Governo o interesse em concorrer à privatização da ANA – Aeroportos de Portugal e ao aeroporto da Ota. Mário Lino, que falava num debate promovido pela Ordem dos Economistas, adiantou que os brasileiros da Odebrecht e os espanhóis da Ferrovial deverão juntar-se à corrida pelo projecto.

Mais avançado está o megaconsórcio nacional, criado em Setembro do ano passado. O agrupamento liderado pela Brisa e pela Mota-Engil, integra ainda os três maiores bancos – CGD, BES e BCP, para além da Somague. A Siemens, que ganhou o contrato para o segundo terminal da Portela e forneceu a solução para o reforço de capacidade no Euro 2004, está em contactos avançados para juntar-se também a este concorrente, soube o DN.

A Odebrecht, que em Portugal controla a construtora Bento Pedroso, já tinha mostrado o seu interesse em concorrer ao projecto português do comboio de da alta velocidade (TGV), para o qual já tem parceiros, para além de ser apontada como um forte candidata à terceira travessia do Tejo. Já a Ferrovial é o maior operador aeroportuário do mundo, depois da compra da British Airport Authority (BAA).

Ontem, o governante lançou um novo argumento em defesa do aeroporto da Ota contra eventuais alternativas na Margem Sul. Mário Lino, que falava num debate promovido pela Ordem dos Economistas sobre o tema, defendeu que construir o novo aeroporto de Lisboa a Sul do Tejo obrigaria a criar uma nova cidade para servir a infra-estrutura, com a deslocação de milhões de pessoas que hoje vivem “em Lisboa, Sintra, Cartaxo e Almada”.

O ministro, que citava o especialista em transportes Manuel Porto, chegou mesmo ironizar, dizendo que seria o mesmo que construir um aeroporto no deserto, já que na Margem Sul “não há pessoas, nem actividades, nem hotéis, nem escolas, nem acessibilidades”. A decisão, diz, não pode ser de engenharia, mas de ordenamento e desenvolvimento do território. Os defensores desta tese lembram que é na margem Norte do Tejo que se concentram as empresas, os pólos populacionais, o emprego industrial, as infra-estruturas e até a oferta turista. Segundo o presidente da ANA, Guilhermino Rodrigues, dos 40% de utilizadores do aeroporto da Portela que vivem na área da Grande Lisboa, a esmagadora maioria habita na Margem Norte.

Até agora, o argumento ambiental tinha sido o mais invocado para afastar a opção Sul face à Ota que é mais difícil de executar e mais cara. Ontem, o ministro realçou a convicção de que a Comissão Europeia jamais aceitará financiar um aeroporto na Margem Sul.ANA SUSPIRO

LEONARDO NEGRÃO (imagem)