Levitação política com “Socratone” ?

O ex-Presidente Sampaio emitiu ontem um comentário muito curioso, que dá que pensar, acerca das próximas eleições – intercalares – para a CML.
Talvez o mais curioso de todos os que até agora foram emitidos sobre a matéria, a par da declaração de um dirigente político que comentou há cerca de 2 semanas “..até agora tudo tem corrido como desejávamos…”.
O Dr. Sampaio convidou os eleitores de Lisboa a não pensarem no Governo do País quando forem votar no próximo dia 15 de Julho.
Ou seja, apelou aos eleitores para que esqueçam por umas horas que vivem em Portugal, que pagam impostos em Portugal, que são “beneficiários” do Serviço Nacional de Saúde, que vivem os problemas da educação em Portugal, que adquirem combustíveis em Portugal, que vêem a TV portuguesa e lêem os jornais, etc, etc.
É claramente este que não outro o sentido prático/útil de tal convite.
Mas isto, se não me engano muito, é um exercício de levitação política excepcionalmente árduo, que o comum dos cidadãos terá a maior dificuldade em realizar.
Não quero cometer a injustiça de pensar que o Dr. Sampaio e os outros dois ilustres cidadãos e igualmente ex-Presidentes da CML que o acompanhavam na cerimónia de apoio ao candidato Dr. António Costa – Engº Aquilino Ribeiro Machado e Dr. João Soares (com algumas dúvidas quanto a este) – não sejam capazes desse dificílimo exercício de levitação na hora de votar.
Mas parece-me uma temeridade admitir que a grande maioria dos cidadãos eleitores sejam capazes de tal proeza.
Pode ser, no entanto, que exista ou venha ainda a tempo algum medicamento com efeito preventivo semelhante a esse estado de levitação.
Sei por experiência própria que as pessoas que visitam alguns países africanos tomam um preventivo ani-malário, denominado Malarone (passe a publicidade, nem sei qual laboratório que o produz).
Não haverá possibilidade de, nas 48 horas que antecedem a votação (13 e 14 de Julho) o Ministro da Saúde colocar à disposição da população da cidade, gratuitamente, um medicamento “Socratone” que impeça os cidadãos de se recordarem do Chefe do Governo e do Governo algumas horas antes de irem às urnas?
Parece-me, a ser viável, a única forma de dar uma resposta minimamente eficaz ao apelo do Dr. Sampaio.

Tavares Moreira