O ministro das Obras Públicas disse hoje que fazer o novo aeroporto de Lisboa, projectado para a Ota, na margem Sul do rio Tejo seria «um projecto megalómano e faraónico», que não teria a aprovação de Bruxelas.
«Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas», disse Mário Lino durante um almoço debate sobre «O Novo Aeroporto de Lisboa», promovido pela Ordem dos Economistas.
Mário Lino lembrou que na construção do novo aeroporto de Lisboa «está em causa a posição de Portugal no acesso aos fundos comunitários», afirmando que um projecto de construção de um aeroporto na margem Sul do Tejo dificilmente teria a «aceitação de Bruxelas».
Defendendo que a localização do aeroporto «é uma questão de estratégia política e não uma questão de mera engenharia», o ministro disse que um aeroporto na margem Sul do Tejo seria «uma espécie de Brasília do Norte do Alentejo».
Por oposição à localização do aeroporto na margem Sul, Mário Lino voltou a reafirmar que «a Ota é uma estratégia de desenvolvimento que nós [Governo] pensamos que tem de ser seguida», arguindo que está numa região onde se concentram «vilas, turismo, indústria e população».
O novo aeroporto na Ota é a «infra-estrutura que mais contribui para resolver problemas de mobilidade de Setúbal a Leiria, o correspondente a 50% da população portuguesa e a 50% da riqueza nacional», afirmou o ministro, defendendo que «não é no deserto que se faz um aeroporto».
Mário Lino reafirmou que a construção do novo aeroporto na Ota é um projecto que foi retomado do anterior Governo: «Este Governo deu sequência aos milhões de euros que já tinha sido gastos a estudar a Ota, dando seguimento ao Governo de Durão Barroso, que foi a Bruxelas defender a Ota».
Durante a sua intervenção, Mário Lino salientou a existência de «um grande consenso de o aeroporto da Portela vai chegar ao fim», defendendo que «só não chegou ao fim porque o Governo usou a base militar de Figo Maduro, o que nos vai permitir prolongar a vida da Portela em condições mínimas».
Evocando um estudo sobre a competitividade europeia, no qual Lisboa ocupa a 13ª posição no conjunto das 180 capitais europeias e o aeroporto da Portela ocupa a 24ª posição, Mário Lino disse que «aeroporto da Portela é um factor que puxa a competitividade de Lisboa para baixo», sendo essa uma «deficiência» que tem de ser corrigida.
«Portugal é um país da periferia da Europa, mas está na fronteira oeste-atlântica da Europa, uma localização privilegiada«, afirmou, defendendo que »se nos eternizarmos com estudos e análises corremos o risco de deixar de ser competitivos«.
Por fim, o ministro voltou a reafirmar que manter dois aeroportos na região de Lisboa «não é rentável, nem sustentável», considerando que isso «seria substituir um mau [aeroporto] por dois piores».
Diário Digital / Lusa
23-05-2007 19:04:00

