É aconselhável a realização de mais estudos acerca da localização do novo aeroporto internacional de Lisboa, susceptíveis de fundamentar uma decisão definitiva. É esta a principal conclusão da sondagem efectuada pela Universidade Católica para o JN, a RTP e a Antena 1.Analisada a partir do seu “valor facial”, aquela conclusão pode fazer supor que aos portugueses não agrada a tomada de decisões políticas sem o suficiente respaldo técnico. Uma atitude natural, tratando-se de um vultuoso investimento.Não será bem assim, no entanto, por duas ordens de razões. Em primeiro lugar, porque à pergunta específica sobre as condições para uma decisão, um terço dos inquiridos admite que não sabe responder ou opta por nem sequer se manifestar. Em segundo lugar porque, nas respostas relativas ao grau de confiança em eventuais novos estudos sobre a matéria, 26% exprimem desconfiança e mais 21% não se posicionam.Ou seja para uma boa parte dos cidadãos, nem com estudos e mais estudos se atinge certezas absolutas.

Fora dos planos

Certeza absoluta, para mais de metade dos participantes nesta sondagem, é o facto de a construção de uma nova aerogare não dever fazer parte das prioridades de investimento público. Só 27% concordam com a estratégia seguida pelo Governo, enquanto 55% a contestam abertamente.

A mensagem crítica emitida pelo PSD está, aparentemente, a passar junto da Opinião Pública.

Quanto à escolha da Ota para instalar o aeroporto, constata-se que um em cada quatro inquiridos a encaram como errada.

Falta de informação

A percentagem, o que não deixa de ser significativo, é ainda mais elevada entre os participantes que residem na região de Lisboa e Vale do Tejo, aqui isolada para se perceberem eventuais diferenças de opinião sobre o assunto.

Contudo, neste particular, quem vence é, afinal… a falta de informação. É o que demonstra o elevado número de pessoas que admite não ter conhecimentos suficientes para poder pronunciar-se, quase 60% na totalidade de amostra da sondagem.

Desta lacuna informativa será o Governo o principal responsável. Apostou tudo na Ota – sem ponderar uma localização alternativa – mas não terá ainda feito o suficiente para convencer os cidadãos da bondade da sua opção.

Paulo Martins